Cada dia que passa, a necessidade de desenvolvermos empatia e de nos colocar mos no lugar do outro torna-se mais urgente.

Outro dia uma conhecida rádio nacional dizia aos seus ouvintes que “O fim do Mundo é o fim da Empatia!”. Concordo inteiramente. Quando não formos mais capazes de olhar para os outros e nos colocar nos no seu lugar, tudo acabou! A esperança de sermos um pouco melhores será nula!

Contudo, algo mais deve ser dito sobre a empatia, de forma, realista, para que percebamos que nesta história da empatia, estamos longe de ser “deuses” e que a compreensão absoluta não está na realidade no nosso alcance.

Na verdade, compreendermos o outro através de nós próprios, através de um “sistema de códigos”, que envolvem as nossas perceções e, sobretudo, ativam um sem número de gatilhos da nossa memória e das nossas vivências passadas.

Por vezes, cometemos erros e atitudes inadequadas nas relações humanas porque atribuímos ao nosso “Eu” um conjunto de qualidades, que na realidade não temos, e que nos levam a catalogar, julgar e opinar, muitas vezes, sem qualquer razoabilidade.

Devemos ter uma clara noção, de que muitas das coisas que pensamos como factos não o são. São, sim, meias verdades. Presunções. Possivelmente, más interpretações. Ou até palpites, baseados em preconceitos cognitivos, condicionamentos diversos, e erros de informação.

Nunca conseguiremos incorporar a realidade do outro na sua totalidade, apenas vamos conseguir interpretar o outro através do sistema de sinais visuais, sonoros e emocionais que o outro nos transmite. Mas o simples fato, de termos, o cuidado de refletir antes de falar, e de praticar a escuta ativa, expondo as nossas ideias sem as impor, é fundamental para a prática de relações de empatia.

O ser humano é muito maior do que o nosso sistema de interpretações. È, por isso, que colocar-nos no lugar do outro e democratizar ideias que não são as nossas é um teste à teoria da Inteligência (em especial à inteligência social).

A pessoa que não tenta colocar-se no lugar do outro dificilmente compreenderá um filho, um companheiro, um aluno, um colega, ou um colaborador…

Embora nunca compreendamos a realidade do outro da sua totalidade, podemos aproximarmos nos dela. Para isso é fundamental, darmos espaço a que os outros possam expor as suas ideias, sem tentarmos impor as nossas. E expor ideias, é dar ao outro o poder de nos contrariar, e de pensar de forma diferente.

Sem termos noção, muitas vezes, o nosso tom de voz e a forma como expressamos as nossas ideias chantageiam, pressionam e diminuem o outro, sem lhe dar a possibilidade de debater.

Quem não consegue esvaziar se das suas verdades; não consegue abrir novas possibilidade de pensamento que lhe permitem aproximar-se da realidade do outro, nunca conseguirá praticar realmente a empatia.

Se quer verdadeiramente praticar a empatia, com todas as limitações que a nossa mente nos concede, com todos os erros no nosso sistema de interpretações inerentes ás nossas pré-conceções, tenha em conta que: uma pessoa empática é igualmente alguém capaz de conceber uma ideia ou pensamento, sem o aceitar na totalidade.

Pensar é distorcer a realidade, com base no nosso sistema de valores, crenças, memórias e vivências, pelo que nenhum de nós é (totalmente) dono da verdade e da razão.

Colocar nos no lugar do outro, gerando empatia, por vezes mostrando aceitação por ideias que não partilhamos, liberta-nos da solidão social que vivemos, apesar de todos termos a falsa sensação de quem vivemos numa paradoxal convivência virtual permanente, na qual estamos sempre próximos mas infinitamente distantes.

Assim, ciente das suas limitações, sejamos menos absolutos nos nossos julgamentos aos outros, relembrando-nos sempre que somos limitados nas nossas interpretações, e que cometemos erros vitáveis, é preciso não ferir os outros, e mostrar preocupação pelos seus sentimentos, tendo a humildade de saber que ninguém é dono de absolutamente verdade nenhuma.