Antes de me decidir aprofundar os meus conhecimentos no mundo do coaching, passei alguns (vários) anos a ponderar o que seria isso de ter uma carreira bem sucedida e ser feliz no trabalho. Afinal qual era o verdadeiro significado destes dois conceitos?!

Estes dois chavões passam a fazer parte do nosso dia a dia, possivelmente de forma acessa, desde a entrada na faculdade, quando perguntas como “O que vou fazer a seguir?, “Que tipo de especialização quero seguir?”, “Será que vou encontrar trabalho na minha área?”, começam a assolar a nossa mente.

Aliado a estes conceitos, podemos ainda adicionar um elevado grau de expectativas (as nossas e as dos outros) que se perpetuam em conversas à mesa no domingo com a família, no nosso círculo de amigos, e na boca de alguns conhecidos indiscretos, que insistem em nos relembrar que possivelmente não temos uma resposta definida para estas perguntas (embora todos achem que deveríamos ter).

Poderíamos escrever uma dissertação sobre como construir uma carreira de sucesso e com isso alcançar a felicidade num campo tão importante da nossa vida (que directamente se relaciona com os nossos propósitos, conquistas e realização), mas em boa verdade não chegaríamos a conclusão nenhuma. Efectivamente, todas as dicas são válidas, se tiverem em conta primeiro, e fundamentalmente, a realidade, as crenças e os valores, de cada um.

A primeira grande verdade do Coaching é que deve ser difundida até ressoar como eco nas nossas mentes, é que cada um de nós possui todos os recursos (mesmo que neste momento, isto lhe pareça uma conversa típica de qualquer livro de auto ajuda!).

Felizmente, áreas como o Coaching, a Psicologia Positiva e a Ciência da Felicidade, deixaram de ser vistas como conceitos patéticos ligados a esoterismos e outras falásias, para mostrar como podem ser ferramentas preciosas no mundo profissional, com resultados comprovados no aumento de produtividade, e na motivação dos colaboradores, bem como na diminuição de conflitos entre equipas e melhoria das lideranças (relembremos que todas as grandes Multinacionais recorrem a estas ferramentas, bem como atletas de alta competição e executivos de topo).

O objectivo deste artigo nunca será oferecer um conjunto de dicas e soluções generalista para uma problemática tão específica que gravita em torno de um universo único: o nosso Ser. Mas pretende relembra-lo de algumas coisas que sabe bem, ainda que no seu interior: Um bom trabalho, um bom salário, não serão elementos decisivos para a sua felicidade (um emprego que lhe confira status e bons rendimentos irão fazê-lo feliz se o privarem de experiências e momentos junto das pessoas mais importantes para si? Ou se destruir a sua saúde física e/ou mental?).

Pesquisas recentes, que deram origem a matérias académicas amplamente debatidas no âmbito da psicologia positiva, mostram que a maioria das pessoas se sentiria mais feliz em ganhar um salário de 1000 Euros mensais, se todos os seus colegas ganhassem 500 euros; do que ganhar um salário de 2000 Euros mensais, se todos os seus colegas auferirem salários de 3000 Euros (sem grandes julgamentos, trata- se de um reflexo do sistema de competividade, e falsa crença de competência directamente proporcional ao salário auferido).

Pondere sobre as seguintes questões:
– O que é uma carreira de sucesso para mim? (Descreva-o da forma mais pormenorizada possível)
– O que preciso de fazer para alcançar essa carreira?
– O que precisa de fazer é ecológico para si? Vai de encontro aos seus valores?
– O que irá acontecer se não conseguir a carreira que definiu como sendo de sucesso?
– Que meios já possui alcançar esta meta?
– O que o impede de começar?
– Quanto tempo precisa para alcançar essa meta?
– O que o poderia fazer desistir?
– O que vai ver e ouvir quando alcançar a sua meta?

Anote as suas respostas e surpreenda-se com a leitura das mesmas. Sempre que o seu cérebro se focar no erro ou naquilo que não quer, repita a seguinte pergunta para si mesmo : “O que eu quero em vez disto?” ou “O que eu prefiro em vez disto?”.

Seja qual for o resultado, lembre-se sempre que não há soluções milagrosas, dificilmente um bom coach o irá aconselhar a abandonar tudo de um dia para o outro, ignorando a sua situação actual, e as responsabilidades inerentes à mesma.

Contudo, descobrir qual é o seu estado actual, e qual a meta que pretende alcançar, são o início de uma jornada, que engloba um processo de pequenos passos com os quais deve estar completamente comprometido, e para os quais deve delinear um prazo para o seu cumprimento.

Durante esta jornada, alguns conceitos importantes devem ser focados: o nosso cérebro funciona com base em comparações constantes, baseadas em percepções nem sempre verídicas, uma vez que os nossos julgamentos têm sempre por base outros pontos de referência (por esta razão, muitas pessoas estão hoje em dia a apagar as suas contas de algumas redes sociais, e o número de casos de depressão aumentou por excesso de tempo neste tipo de plataforma, que levam a comparações constantes com os estilos de vida de outras pessoas); por isso, evite comparações, a sua realidade é única e singular; além disto: diversifique a sua vida, de modo, a ganhar novos pontos de referência, ganhando novas perspectivas.

Uma mente feliz é uma mente flexível, que se encontra em continua aprendizagem.

Se desta sessão de auto coaching concluir que precisa de ajuda profissional faça-o, mas não adie os seus sonhos, metas, ou a melhor versão que pode ser de si mesmo, para continuar numa carreira, num trabalho que não o satisfaz.